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Enxaqueca, livros, William James, algebra

1. Enxaqueca. O repertório de imagens em torno do problema é vasto, já foi bem recenseado pelo Oliver Sacks em seu Enxaqueca, e certamente pode prescindir de minha tosca contribuição – mas a de hoje me fez pensar que a caixa craniana estava gradualmente se enchendo de pedras, depois areia, depois água – na sequencia daquela história infame que circulou abundantemente por aí, e que recebemos em spam, em mensagens de natal, ano novo, o diabo. Eis o horror: além do sofrimento característico de um processo agressivo que é na melhor das hipóteses amansado pelo medicamento,  ainda fui brindado com a lembrança dessa fábula.

2. Silver lining. Para continuar no terreno das analogias férteis, a dupla obscuridade referida acima foi aliviada por algumas páginas, na verdade dois capítulos, do excelente The Master, que já comentei brevemente aqui: cheio de sentenças lapidares, e atravessado por um processo de emulação de um ritmo jamesiano que, embora não seja, obviamente, a mesma coisa, é também excelente, justamente porque não deseja ser a mesma coisa que James. Embora eu não consiga explicitar totalmente minhas razões, acho que há um aprendizado interessante aí – talvez justamente porque não consigo explicitar totalmente minhas razões.

3. Livros. Como na finada – e em geral chata, mas esse aspecto era legal  – coluna do Nick Hornby pro The Believeralguns livros recém-chegados:

3.1. Hamilton, How to do biography: nunca subestime o poder de um manual de instruções americano – são produzidos por pessoas que acreditam nisso para pessoas que acreditam também, e esse pessoal vem fazendo esse negócio há mais de cinquenta anos! Minha esperança, que me torna irmão em  intenção de todos os que buscam livros de instrução para resolver questões da vida, é ver se o livro do Hamilton me ajuda a proceder com menos sofrimento – e, como sempre é meu desejo, mais organização e método – na redação da biografia do Saer.

3.2 Fitzpatrick, The anxiety of obsolescence – The american novel in the age of television: o título me fez pensar em uma história social da minha geração, aquela que foi formada pela TV e que descobriu internet já adulta, mas não é exatamente isso. Fitzpatrick é bem representativa de um tipo de acadêmico norte-americano antenado e multivalente, proficiente no uso de mídias sociais e disponível para investir na ampliação do circuito de conversações ordinário do professorado: o livro que ela está escrevendo agora vai bem em cima dos meus interesses de pesquisa, e foi por aí, quando estava buscando coisas sobre publicação acadêmica online, que me deparei com o trabalho dela. Calhou que ela tinha escrito esse livro que chegou hoje, que também me interessa. Ela foi colega do DFW em Pomona, e escreveu um dos textos do In memoriam DFW. Por fim, já que estamos no assunto,

3.3 Lipsky, Although of course you end up becoming yourself, parte de minha tentativa de me aproximar de DFW usando uma via que facilita minha vida. Foi culpa, inicialmente, de um comentário de Matt Bucher e, depois, de uma conversa comprida com T

Com sorte e vida longa e próspera, tudo isso terá seu dia de comentário aqui. E, para terminar com uma nota positiva um dia lastimável e sombrio, The Master himself: Henry James aos 16 anos, antes de se tornar “Henry James”, como um lembrete de que mesmo os Mestres começaram pequenos.

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  1. Fábula boa é esta aqui (me descupla):

    Um professor de filosofia, parou na frente da classe e sem dizer uma palavra, pegou um vidro de maionese vazio e o encheu com pedras de uns 2 cm de diâmetro. Olhou para os alunos, e perguntou se o vidro estava cheio.

    Todos disseram que sim.

    Ele então, pegou uma caixa com pedregulhos bem pequenos, jogou-os dentro do vidro agitando-o levemente, os pedregulhos rolaram para os espaços entre as pedras.

    Tornou a perguntar se o vidro estava cheio.

    Os alunos concordaram: agora sim, estava cheio!

    Dessa vez, pegou uma caixa com areia e despejou dentro do vidro preenchendo o restante.

    Olhando calmamente para as crianças o professor disse:

    – Quero que entendam, que isto, simboliza a vida de cada um de vocês.

    As pedras, são as coisas importantes: sua família, seus amigos, sua saúde, seus filhos, coisas que preenchem a vida.

    Os pedregulhos, são as outras coisas que importam: como o emprego, a casa,um carro…

    A areia, representa o resto: as coisas pequenas…

    Experimentem colocar, a areia primeiro no vidro, e verão que não caberá as pedras e os pedregulhos…

    O mesmo vale para suas vidas.

    Priorizem, cuidar das pedras, do que realmente importa.

    Estabeleçam suas prioridades.

    O resto é só areia!

    Após ouvirem a mensagem tão profunda, um aluno perguntou ao professor se poderia pegar o vidro, que todos acreditavam estar cheio, e fez novamente a pergunta:

    – Vocês concordam que o vidro esta realmente cheio?

    Onde responderam, inclusive o professor:

    – Sim está!

    Então, ele derramou uma lata de cerveja dentro do vidro.

    A areia ficou ensopada, pois a cerveja foi preenchendo todos os espaços restantes, e fazendo com que ele, desta vez ficasse realmente cheio.

    Todos ficaram surpresos e pensativos com a atitude do aluno, incluindo o professor.

    ENTÃO ELE EXPLICOU:

    NÃO IMPORTA O QUANTO SUA VIDA ESTEJA CHEIA DE COISAS E PROBLEMAS, SEMPRE SOBRA ESPAÇO PARA UMA CERVEJINHA !!!!!!

    • Era uma alusão a um dos primeiros filmes do Herzog, Diego, chamado Também os anões começaram pequenos. Foi uma das primeiras coisas realmente esquisitas que vi no cinema, e desde então sempre tomo como um marco de minha educação (é sério, como vc já deve saber: ironia não é minha moeda) – aliás, Herzog dava um bom post. Veja aqui mais um pouquinho a respeito:

      http://en.wikipedia.org/wiki/Even_Dwarfs_Started_Small

      E fiquei bem feliz por vc ter prestado atenção nesse detalhinho. 🙂

      • diego

        devo ter visto um 12 filmes do Herzog. Mas fitzcarraldo e este aí não vi não.

  2. Diego, com Herzog vc sempre sai ganhando: mesmo quando é ruim, é bom. E Fitzcarraldo é bom. para. caraglio.

    Vá, amigo, vá ao piratebay agora, vá. 🙂

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