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I am Assange

Muitos vão duvidar, assim como eu duvido agora de mim mesmo, mas vou mencionar Saramago laudatoriamente, utilizá-lo e, com isso, enviar meus leitores à leitura dele. O que, convenhamos, não é de todo mau.

O caso está em A Jangada de Pedra, que foi o primeiro livro dele que li, em um verão bem distante, quando ainda dividia apartamento com Dick Noir, e que li por recomendação dele. O mote do livro, sabemos, é que a península ibérica se descola do resto do continente – fica aí, uma massa de terra, o que se faz com ela, aterrorizando o Atlântico, solta. Há um belo momento, quando a ficha cai, os Europeus se apercebem do que está em jogo com a península à deriva e, como sempre, nas engajadas universidades parisienses começam a dizer Eu também sou Ibérico. O que, entendi, queria dizer Eu também sou Outro, ou Sem o Outro não sou eu – algo dessa ordem. É lindo, é uma apoteose, um florescimento. Se esgarça, obviamente, o livro tem outros destinos, o Autor deseja, nesse caso creio que desgraçadamente, muito mais. Mas é uma onda, é emocionante, e também diz algo, pois o incidente está repleto daquilo que faz com que ainda hoje falemos “Maio de 68” – há aí coisas ditas, coisas feitas, e fermento imaginário e conversacional fazendo o evento crescer e se sedimentar como um fato que sempre ultrapassa o slogan que, supostamente, o define.

Para comentar e situar o caso específico do Wikileaks e da prisão de Assange, não poderia fazer nada melhor que o Avelar já fez aqui – como sempre com a bala na agulha, ele organiza o incidente em uma narrativa, faz do bruhahá um fio na trama do presente, e com isso nos ajuda a produzir sentido e encontrar um lugar na narrativa também. Um lugar que pode ser esse, de dizer Eu sou Assange, Eu  também sou Assange. Isso, em meu caso, quer dizer que não tive a vida aventuresca e heróica que ele teve e tem, e que não estou na berlinda como ele está – mas que há algo de empatia entre o que eu julgo justo e bonito fazer e o que ele passa a ser quando, a respeito dele, podemos dizer coisas assim. E Herói é pra isso mesmo.

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Morton Feldman morreu semana passada aos oitenta e seis anos

Imagine um menino gordinho, todo agasalhado, com cachecol, casaco grosso e roupas de flanela, caminhando pelo Brooklyn, uma pasta com um caderno de música e um lápis dentro, mas também uma bola de gude, um pacotinho de doce, um pedaço de barbante. Lá vai o garoto pra aula de piano: sua professora é uma senhorinha seca e fofa, com sotaque forte, riso fácil e um apartamentinho cheio de tapetes e cortinas pesadas. Ela gosta de Scriabin, então ele aprende a tocar Scriabin. Ela estudou com Busoni, e tem partituras de Busoni, adaptações facilitadas de Bach por Busoni, cheias de marginalia e anotações – então ele aprende a tocar Bach por Busoni, e se perde naquelas anotações. Ela diz Morty, atenção e ele presta atenção na mãozinha fina, nas teclas gastas, nos bibelôs da sala. E ela diz de novo Morty, preste atenção, Morty – então ele presta atenção, ele continua prestando atenção. E ela toca cada acorde, lentamente, um de cada vez, molto lento: Lentissimo, Morty, lentissimo. Isso, isso. E assim passa a aula, que é como todas as aulas e que é apenas mais uma coisa na vida de todos, uma coisinha insignificante, e o garotinho vai agradecer à professora e voltar pra casa, como sempre, pelo mesmo caminho, e vai pensar em muitas coisas, coisas que garotos pensam, coisas que garotos judeus nos anos 30 em New York pensam, essas coisas.

Imagine um rapaz na casa dos vinte, uma camiseta branca e uma calça jeans, em New York pela primeira vez. Vive perigosamente, à beira da pobreza absoluta: quer e não quer ter sucesso, deseja e não deseja tudo que vê e que está à disposição de quem não apenas deseja mas consegue articular desejo e astúcia em um só foco. A pouca astúcia que tem usou para vir pra cá, e assim viver sua épica particular de escolha, dizer sim à cidade dos seus artistas, da sua família escolhida, dizer sim. Ele entra em um salão de concerto apertadinho na New School: estão celebrando os dez anos da morte de Morton Feldman, é de graça, ele quer ver e ouvir aquilo. Não sabe nada de Feldman, a não ser que era amigo de Cage, que era daquela praia – ele se engana, o que não é de se estranhar, uma vez que ele não sabe. O que ele vai saber em breve é o que acontece depois que ele senta no auditório, ignorado por todos, esquecido de si nesse lugar onde ele sabe que ninguém o encontrará, ninguém se surpreenderá ao vê-lo, ninguém está esperando por ele: ali, naquelas cadeiras velhinhas e meio dançadas do auditório da New School, ele vai ouvir Morton Feldman pela primeira vez, sem nenhuma preparação exata para a experiência – o que é correto pois, via de regra, a gente não está mesmo preparado para nenhuma experiência. Saindo do auditório, caminhando para o metrô, ele enfia a camiseta pra dentro da calça mais um pouco, e esse gesto não parece nem mais nem menos gratuito que qualquer outro.

Imagine esse mesmo homem, agora já perto dos quarenta. Anda um pouco asfixiado, e obviamente não aguenta – embora não saiba exatamente o que é que não aguenta, sua vida não é tão ruim assim, é o calor, claro, mas não é só isso. Quando era mais jovem, a vida parecia ser possibilidade pura, possibilidade ilimitada – mas justo naquela época ele mesmo estava fechado e, agora, anos depois, com muito mais abertura, não tem o menor interesse por possibilidades. Agora ele parece se contentar em rearrumar os mesmos velhos móveis num mesmo ambiente, preocupado com bem pouco mais que estabelecer condições práticas muito rudimentares que lhe permitam trabalhar – uma cadeira confortável, a medida adequada de silêncio, um certo esquecimento da melancolia e a despreocupação com o gesto gratuito e suas consequencias. Como, por exemplo, no meio de uma tarde de novembro, ouvir Madame Press died last week at ninety, e sentar em sua cadeira no trabalho e lembrar daquele garotinho judeu no Brooklyn nos anos 30, daquele rapaz no Greenwich nos anos 90, e esquecer de tudo por um momento, esquecer de si mesmo e de todas as suas histórias e promessas e saber que essa é uma das muitas alternativas para ter uma conversa consigo mesmo, aquela que vai lhe permitir abraçar seus amigos, e beber com eles, e conversar, e esquecer de si mesmo mais uma vez, de novo, como se tudo estivesse limpo, como se tudo estivesse claro, de novo.

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Don Draper, John Cheever

A extensão em que se pode ter empatia com Don Draper é enorme: o homem é uma fantasia de sucesso completa, habita um momento histórico e um lugar invejáveis, e celebra um exercício radical do projeto do self-made man: é carismático, astuto e tranquilo, uma fortaleza que se fez com nada exceto habilidade, engenho e arte. Mas, à medida que a narrativa avança, uma tintura começa a aparecer e se espalhar – e você não se surpreende, mas o fato é que é uma tragédia. Há momentos de leveza, mas são eventuais, parênteses. O destino do herói, uma vez que é destino, não admite redescrição, e a contingência não é capaz de nada a não ser de uma folga cômica, um alívio que permite a projeção, em uma outra volta do parafuso, da narrativa para seu final.

Ou não? Observe, por exemplo, o momento em que Draper, na Califórnia, pode se redescrever mais uma vez, sumir, desaparecer: toma um banho de mar, sem camisa, com uma calça cáqui arregaçada, um quarentão em uma praia solitária na costa oeste nos anos sessenta. O que se pensa em um momento assim? O que se deseja? Ou, ainda, no episódio em que ele aparece nadando na piscina, ruas de Manhattan fervilhando no início do verão, e ele escrevendo em seu diário, de novo com uma calça cáqui, os pés descalços: o que é isso? Reforma moral, incipit vita nova?

Você lê os diários de Cheever, mais ou menos dessa época, início dos anos sessenta, ele já com quase cinquenta anos dizendo coisas como A estranheza do tempo, a estranheza da personalidade. Às voltas consigo mesmo, perplexo com seu próprio espectro de ambiguidades e envolvido em um trabalho que, em certa medida, depende do auto-exame para ter sucesso, Cheever parece o tempo todo buscar para si o estado em que, sem nome e nu mais uma vez, ninguém sabe quem ou o que ele é, e ele pode ser qualquer coisa, e acreditar por um momento que a satisfação desse novo desejo de ser será, dessa vez, enfim, algo sem custo, sem dor, sem falência. Você escreve em seu diário sobre isso, acorda cedo para nadar, e se esgota pensando em coisas dessa família: razões, projetos, impotências, importâncias. E isso, embora pareça a posteriori apenas mais uma encarnação da ingenuidade, ou um exercício peculiar de ócio e lassidão, é também a manifestação de uma urgência que talvez seja inevitável, uma consciência da falência final que não se deixa asfixiar pelas mil e umas forças do Não, do Você não é isso, do Você sempre vai ser assim. E então você nada um pouco mais e lembra de Cheever se perguntando, em uma página de 1962,

O que é afinal que eu quero: um quarto mobiliado, um umbral de porta, ou uma rua, o vento soprando?  Depender de coisas e pessoas, estar sujeito às circunstâncias, desejar avidamente evitar a miséria particular da independência. Conhecer as diferenças do que se sente nesse momento da vida, nadar na praia e subitamente perceber que tudo passou de dor para prazer, acreditar que ainda há trabalho a fazer, algo a fazer.

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Post à maneira do Kelvin

Consta que Schklovsky nomeou um de seus textos autobiográficos de As Três Fábricas como um comentário à natureza de pura reprodução da família, da escola, e do partido. Máquinas produzindo peças que irão incrementar a máquina para produzir peças que irão incrementar a máquina para produzir peças. Posso imaginar Schklovsky concebendo o título e achando bom, achando graça, achando que era um título apropriado.  Na segunda parte de seu Uma viagem sentimental, cujo sugestivo título é “Escrivaninha”, Schklovsky conta como um marinheiro grego foi capturado em ação e, na sequência, interrogado por um cara da polícia secreta soviética: a certa altura, há uma injeção de cânfora, mas mesmo assim o homem nada diz. Embora não diga de onde vem tal convicção, Schklovsky está certo de que os dois, interrogante e interrogado, se conhecem, se conheciam anteriormente. No dia seguinte, com o prisioneiro morto, os outros soldados se dedicam a explorar e cutucar seu enorme corpo, buscando evidência do perecimento necessário da carne, talvez, ou confirmação da realidade do custo da fibra moral e do silêncio.  Então, em uma sentença excepcional e enigmática, Schklovsky diz A música divina dessa cadeia infeliz caminha incólume aqui.

Ouvi dizer também, de um professor que tive na graduação, um velho comunista com sua respectiva escara de batalha, um andar claudicante e uma bengala, que Victor Serge ficou que nem uma nau à deriva por um tempo, e isso não apenas simbolicamente, mas de fato: era passageiro de um navio de cruzeiro, e sua condição de deportado da França fez com que vários países recusassem sua entrada. Martinica, Cuba, República Dominicana, todos disseram não ao velho comunista (no Haiti ele nem tentou entrar, pois não era estúpido). E eis que enfim o México abre os braços para Serge, que lá sobrevive mais uns anos – poucos, mas o suficiente para escrever O Caso Tulayev. Vivia, sabemos, em grande pobreza, mas pode alguém ser demasiado pobre no México? O que é um terno puído na Calle Tenochtitlán em uma manhã de sábado ensolarada e seca, o que é sua jornada única numa cidade de tantos milhões? Poeira das ruas ele mesmo, Serge era um comunista perdido no México, que o abrigou e nutriu sua maior obra.

Não espanta, portanto, que um pária maior, este homem que elevou a condição de sem-teto à categoria de Arte Pura, Roberto Bolaño, tenha encontrado no México um lugar não só para si, mas também para sua ficção eivada de filhosdaputa, fodidos, perdidos, ópera bufa da ruína, tendo sido ele mesmo espalhado pela América Latina com as honras de um periquito nu, tendo eternamente a si e pouco mais como argumento final. Amalfitano, com seu livro de geometria lançado à intempérie, com sua tese sobre intelectuais latino-americanos, com seu delírio manso diante dos alunos e com o próprio Ocidente indo às migalhas em seus diagramas, é um poeta da impossibilidade do Ocidente, um canto de cisne que poderia ter sido previsto por Benjamin. Está dizendo Aqui, não, enquanto seca ao sol um livro de geometria, que confina os rituais de uma ficção mais antiga e mais longeva que as tramas baratas dos livros que Arturo Belano lia sob o chuveiro em seu périplo burro e triste. Mas, sabemos, a miséria e a morte estão à espreita, e a voz mansa que fala a Amalfitano bem podia lhe dizer A música divina dessa cadeia infeliz caminha incólume aqui.

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Crítica literária 2.0

Costuma se sentir afortunado, e isso por inúmeras razões, uma delas sendo inclusive porque a disposição da sorte como um fator operativo no processo bloqueia uma sequencia causal mais estrita, reducionista e rudimentar, que colocaria no centro do palco noções de competência e excelência, e isso não seria bom para ninguém.

Em particular no que diz respeito à literatura, a fortuna efetivamente lhe sorriu, pois não sabe como seria viver disso. Poderia, claro, ser jornalista e trabalhar com literatura, tem amigos que fazem isso e não vivem debaixo da ponte. Mas sobrevive com risco reduzido, em seu trabalho de professor e pesquisador em uma universidade pública, o que nesse país significa que seu emprego é mais ou menos estável e, embora atravessado por complicações sem conta, umas estruturais e sérias e mil e uma espúrias e risíveis, lhe dá conforto, alguma satisfação, e a oportunidade de se sentir, algo romanescamente – e quem vive sem ficção que atire a primeira pedra – menos vítima da máquina do mundo.

Ou seja: não vive “de literatura”, e de fato não faz a menor idéia do que poderia ser isso. Teme perguntar isso aos autores que conhece, embora já faça anotações sobre o tema há meses, embora deseje escrever a respeito. Profissão: Autor – o que pode ser isso? Inquirido na escola sobre a profissão da mãe, um garotinho responde Minha mãe é autora, ficcionista. O que pode ser isso? Sabe, por relações de maior proximidade, que um determinado Autor vive bem, pelas benesses da família e por um trabalho colateral na mídia; outro tem uma competência muito específica que o torna buscado para trabalhar em campanhas políticas, e dessa operação sazonal tira seu sustento; outra trabalha como tradutora, outro vive perigosamente – todos ganham alguma coisa de direitos autorais. Apesar do desejo de saber, tem vergonha de sair perguntando, e isso porque há um embaraço no negócio de extrair o sustento do literário: é, obviamente, um trabalho, um negócio, mas sua especificidade tem algo de esquivo. Esse componente fugidio não tem a ver, necessariamente, com sua condição de “arte”. Mesmo se visto de maneira mais operacional, como artesania, fruto de empenho sistemático e resultado de prática deliberada, ainda assim a coisa se complica na circulação de papéis, expectativas, performances, valores, o diabo.

O que publica de resenhas no jornal depende de um relacionamento com um grupo pequeno de jornalistas, desde sempre marcado por gentileza e urbanidade: eles o solicitam, ele os solicita, negociam prazos e possibilidades, e assim a coisa vai tipo meio a meio, com ele criando demandas para resenhar livros de autores que já lê e admira e sobre os quais já pesquisou e escreveu e também recebendo demandas para comentar autores que talvez não lesse não fosse o imperativo da resenha. Não tendo de se sustentar com o que recebe por esses trabalhos, o que ganha vira uma espécie de bônus de bom comportamento,  um prêmio para o Funcionário do Mês que, via de regra, é vertido na aquisição de outros livros que, por fim, verá que não tem mais tempo para ler. Pois há os textos dos alunos, que tem de ser prioritários, e há os mil textos próprios do restante do ofício – atas, relatórios, projetos, prestações de contas, planos de curso, avaliações, pareceres. Há sua pesquisa, sobre a produção ensaística contemporânea, que lhe consome, tem lhe consumido muito tempo, vai lhe consumir mais tempo ainda; há o projeto de uma biografia de Juan José Saer, ainda em seu embrião, que não deseja que morra no nascedouro. Há mil e um planos, e todos custam leitura, leitura, leitura, e esse é só o começo da conversa.

Lembra de quando estava no mestrado, chegando cedo na biblioteca vazia, cumprimentando as bibliotecárias e se deixando enlevar por uma ou outra leitora compenetrada, gastando horas na leitura de números velhos do NYRB, em um uso quase injustificável do tempo que deveria estar investindo em leituras para a dissertação. Obrigação e diversão, concentração e digressão, maldita economia. Nunca seria um comentador de literatura hoje sem aquelas manhãs, sem aquela lentidão, sem aquele desajuste temporal e procedimental com sua circunstância e com seus colegas que, mais ciosos da própria carreira e talvez melhor orientados, avançavam em linha reta, como demônios.

Lembra, no caos de papéis em cima da mesa, debaixo das mil obrigações de papel, na hora de decidir o que levar para a praia, de um momento de A Mulher do Tenente Francês no qual o narrador diz algo como É isso que costuma acontecer, não estranhe: as pessoas somem de vista, tragadas pelas sombras das coisas mais próximas. Lembra do vaticínio de ML no decálogo que ele vem elaborando com óbvio gosto há tempos, publicando e republicando, como se fosse um manifesto: não gosta do tom délfico, da empáfia (“Dez mandamentos? Caralho…”), da unilateralidade do negócio produzido em torno da anomalia (o caso Parker). Mas, independente de tudo que é da ordem do gosto, lê verdades ali, e lê com particular melancolia o momento em que Laub diz que

Você lerá só por obrigação. Nunca mais irá atrás de um livro indicado por um amigo. Nunca mais fechará um livro com a sensação de que, para o bem ou para o mal, e isso é quase regra para leitores mais experientes, não há o que dizer sobre ele.

Há algo aí, há um aprendizado aí – como também há no entusiasmo do AdMan quando começou a receber livros “espontaneamente“, que começaram a brotar em sua caixa de correio sem demanda, indicativo de um reposicionamento no campo, sem dúvida marcador de prestígio e de progresso. Há vaidade, há a sensação de reconhecimento e recompensa – há ganho sim. Mas o que fazer com o rapaz que lia por horas a fio aqueles exemplares velhos do NYRB e o Folhetim da Folha e pensava que queria aquilo pra si?  O que fazer com o rapaz que, fumando muito, se preocupava com dinheiro para mais cigarros assim que acabasse o maço e, com ele, o livro de Perec que seu amigo lhe emprestou? Uns jornais velhos e amarelados, o cinzeiro cheio, uma poltrona herdada e perdida, e uma pessoa que não existe mais e, claro, não tem mais nada a dizer.